MODELO DE AÇÃO PEDAGÓGICA
Oficinas 2006/05

Arte e Identidade
Brinquedos e Brincadeiras
Oficina de Música e Tradição Oral
Papel Reciclado e Retalhos



Oficina de Arte e Indentidade

A cooperante técnica e artista plástica Joana Berends e a educadora biocêntrica Líllian Pacheco criaram o projeto pedagógico Em busca do Diamante, que está envolvendo 42 crianças e adolescentes do Alto da Estrela, da Vila São José, Cajueiro e Centro de Lençóis. A vivência de proteção e visualização do cilindro de luz se juntou com o mito do Chamamento do Diamante. Qual é a velocidade da luz? Como a luz se transforma em cores? Como foram formados os diamantes? Estas foram algumas das questões vivenciadas pelo grupo e registradas nos desenhos por técnicas simples e curiosas como: giz de cera e tintas que não se misturam, bombril que tira a cor da revista e giz de cera preto sobre colorido.

“Na hora da visualização eu lembrei de mim correndo e as estrelas correndo atrás, porque quando ando de noite imagino que o céu todo está andando comigo”, Uiliana, 15 anos

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Brinquedos e Brincadeiras
2006/05
Em 2006, os brinquedos e brincadeiras da tradição oral indígena estão inspirando pesquisas sobre as ciências do movimento, das formas geométricas e das habilidades artísticas e motoras.O pião de madeira e o seu movimento circular, a perna de pau e o equilíbrio, a cama de gato e a geometria, a arte de criar uma pipa e fazê-la voar.

A Oficina de Brinquedos e Brincadeiras já visitou a escolas municipais de Lençóis, o artesão Nel e contou com a participação de Roberto, artista do circo Bizarrearte, da Argentina, que ensinou a arte dos malabares.

O que eu aprendi ?

“Porque todo mundo é feito de carne, osso e sentimentos, por isso todos são iguais. Só que falta ser igual socialmente, que tenha essa educação de qualidade, que todos tenham trabalho e nunca haja crianças nas ruas e sim crianças nas escolas”, Graziela, 14 anos.

A oficina em 2005
Em 2005, o contato com a tradição oral local trouxe de sua memória a dança e o artesanato da mulinha de ouro nas oficinas Grãos de Luz e nas escolas municipais. Foi mágico reinventar e produzir um brinquedo tão colorido que integra técnicas e materiais diversos. Mais mágico ainda dançar com ele em rituais de vínculo e aprendizagem sobre a história local e o mapa do Brasil. Nas aulas e nas escolas foi estudada a identidade étnica do povo brasileiro a partir das formas de expressão do bumba-meu-boi, boi de janeiro, mulinha de ouro, burrinha e outros.

Foram parlendas, histórias, muita brincadeira de roda e produção das mulinhas usando garrafas plásticas, papietagem, chitões e fitas coloridas, além de inúmeros porta-lápis e brinquedos de mulinhas reutilizando caixas de papelão.

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Música e Tradição Oral
2006
“Pra começo de conversa
Peço a bênção aos mais velhos
Que me dão sabedoria
Pra eu brincar com esses versos”.


Em 2006, Uéslei, Virgínia e Janaína contaram as histórias da Menina bonita do laço de fita, das Cataratas do Iguaçu e de Watiamã e o toten dos ancestrais. Samana contou a história de Dona Ana, reiseira de Lençóis. Gestos, silêncios e sons: está aberto o ritual dos contadores de histórias.

As crianças tocaram percussão, guitarra, baixo e bateria com os jovens Léo, Branco, Beá e Tássia. Também dançaram Rap com Marreco, do MARF, e Dan, dançarino de Vitória da Conquista-BA.

O objetivo da Oficina é juntar as habilidades dos contadores de histórias com cantadores e dançarinos para criar aulas vivenciais que caminharão nas escolas, comunidades, festivais e nas trilhas griôs de educação e cultura.

Veja notícia e fotos das criaças no 8º Festival de Inverno de Lençóis

A oficina em 2005
“Eu queria saber histórias de negros para contar para os meus alunos, a gente só sabe histórias de Branca de Neve e outras histórias de reis e rainhas brancos”, profª Sheila Jorge, comunidade do Tanquinho.



Em 2005, as Oficinas do Griô facilitaram rituais de vínculo e aprendizagem, contando a história do herói lençoense Dom Obá em cordel, cantorias, danças e quadras da cultura local. O cordel conta a vida de Dom Obá, príncipe afro-baiano, provavelmente nascido na mesma época do município de Lençóis, filho de escravo forro. Dom Obá era desconhecido pelos livros didáticos, pelas escolas e pelos griôs e mestres de tradição oral de Lençóis.

Na geografia e na história da África trazida por Dom Obá, os meninos e as meninas das oficinas e das escolas descobriram reinos e cidades, como Oyó e Ilê Ifé, de reis e rainhas negros que foram divinizados. Descobriram o que significa Obá na língua nagô, criando dicionários de português-yorubá. Desvendaram a guerra do Paraguai e participaram das discussões de Dom Obá com Dom Pedro a respeito da valorização do trabalho do negro.

A imagem de Dom Obá imponente, pensador, escritor, guerreiro motivou as vivências dos movimentos arquetípicos de valor e de trabalho. Danças tribais de guerreiros possibilitaram o exercício da força do olhar, do ritmo, da flexibilidade, da agilidade do caminhar e do salto para enfrentar os desafios da vida. Os provérbios de Dom Obá motivaram conversas filosóficas - “sou aquilo que sou” e vivências de desafio do grito, da fala e expressão da identidade no centro da roda. Cada criança celebrou no centro da roda: “eu sou Dieles; eu sou Diego, eu sou Taise...”, e os educadores também: “eu sou Márcia, eu sou Izabel, eu sou Marilândia...”, cada um com a sua emoção de se reconhecer afro-descendente, brasileiro, lençoense.

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Retalhos e papel reciclado 2006/05
A idéia da Oficina de Retalhos de 2006 começou com um manifesto feito por mulheres do grupo Bamako, na África do Sul. Elas produziram uma grande colcha de retalhos com suas histórias de vida e mandaram para outros países, onde outras mulheres continuaram o trabalho. Ouvindo essa história, a oficina começou a costurar uma colcha, que fará uma caminhada pelas comunidades e escolas públicas de Lençóis.

O centro da colcha será ilustrado com os personagens linhas, agulhas e tesouras, do apólogo do escritor afrodescendente Machado de Assis. Dona Nilza, costureira de Lençóis, contou a sua história na oficina e mostrou a técnica de fiar a linha no fuso.


“Eu vi no rosto dela quando ela respondia, deu pra ver que ela tem orgulho de ser costureira”,
Janderson Malone, 11 anos, sobre Dona Nilza.

Papietagem

“Dentro da oficina de papel existe a oficina de papietagem. Estamos produzindo pratos, travessas, bandejas e outros objetos. No decorrer das aulas surgem idéias, sugestões, e as crianças demostram bastante curiosidade no produto final.”, Ruth Lúcia Gerhardt, artesã e cooperante técnica da oficina.


A oficina em 2005




Em 2005, a oficina de retalhos pesquisou e vivenciou rituais de vínculo e aprendizagem que integraram a capoeira, a história, a geografia do Brasil e da África. Expressando sentimentos e construindo conhecimentos, as meninas e meninos costuraram bonecos, panôs e livros de pano que contaram a história de Aqualtune - a heroína negra do reino do Congo que, mesmo grávida, fugiu com os capoeiras dos engenhos para o quilombo dos Palmares. Os bonecos de pano encantaram todas as idades.

O Grãos de Luz e Griô incentivou os educadores municipais a criar projetos pedagógicos envolvendo rodas e estudos transdisciplinares sobre história, geografia, língua portuguesa e arte, com o tema da capoeira em Lençóis e na Bahia. A partir dessa iniciativa e da experiência acumulada durante 14 anos pela capoeira, a Associação de Capoeira Corda Bamba de Lençóis se tornou Ponto de Cultura do Brasil.

“Com as motivações deste projeto, crianças que pareciam não saber escrever nenhuma palavra, conseguiu mostrar que já está silábico alfabético qualitativo”,
prof ª Janúzia Cruz.

Foram realizadas pesquisas, intercâmbios, entrevistas, palestras, leituras, vídeos, rodas e vivências, produção de textos, desenhos e histórias contadas sobre a capoeira e Aqualtune. As meninas e meninos recriaram uma imagem positiva de ser negro e negra, além de valorizar a riqueza da tradição oral de seus pais, mães, avós e vizinhos.


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