MODELO DE AÇÃO PEDAGÓGICA - OFICINAS

Música e Tradição Oral 2006/05




“Pra começo de conversa
Peço a bênção aos mais velhos
Que me dão sabedoria
Pra eu brincar com esses versos”.



Em 2006, Uéslei, Virgínia e Janaína contaram as histórias da Menina bonita do laço de fita, das Cataratas do Iguaçu e de Watiamã e o toten dos ancestrais. Samana contou a história de Dona Ana, reiseira de Lençóis. Gestos, silêncios e sons: está aberto o ritual dos contadores de histórias.

As crianças tocaram percussão, guitarra, baixo e bateria com os jovens Léo, Branco, Beá e Tássia. Também dançaram Rap com Marreco, do MARF, e Dan, dançarino de Vitória da Conquista-BA.

O objetivo da Oficina é juntar as habilidades dos contadores de histórias com cantadores e dançarinos para criar aulas vivenciais que caminharão nas escolas, comunidades, festivais e nas trilhas griôs de educação e cultura.

Veja notícia e fotos das criaças no 8º Festival de Inverno de Lençóis

A oficina em 2005

“Eu queria saber histórias de negros para contar para os meus alunos, a gente só sabe histórias de Branca de Neve e outras histórias de reis e rainhas brancos”, profª Sheila Jorge, comunidade do Tanquinho.



Em 2005, as Oficinas do Griô facilitaram rituais de vínculo e aprendizagem, contando a história do herói lençoense Dom Obá em cordel, cantorias, danças e quadras da cultura local. O cordel conta a vida de Dom Obá, príncipe afro-baiano, provavelmente nascido na mesma época do município de Lençóis, filho de escravo forro. Dom Obá era desconhecido pelos livros didáticos, pelas escolas e pelos griôs e mestres de tradição oral de Lençóis.

Na geografia e na história da África trazida por Dom Obá, os meninos e as meninas das oficinas e das escolas descobriram reinos e cidades, como Oyó e Ilê Ifé, de reis e rainhas negros que foram divinizados. Descobriram o que significa Obá na língua nagô, criando dicionários de português-yorubá. Desvendaram a guerra do Paraguai e participaram das discussões de Dom Obá com Dom Pedro a respeito da valorização do trabalho do negro.

A imagem de Dom Obá imponente, pensador, escritor, guerreiro motivou as vivências dos movimentos arquetípicos de valor e de trabalho. Danças tribais de guerreiros possibilitaram o exercício da força do olhar, do ritmo, da flexibilidade, da agilidade do caminhar e do salto para enfrentar os desafios da vida. Os provérbios de Dom Obá motivaram conversas filosóficas - “sou aquilo que sou” e vivências de desafio do grito, da fala e expressão da identidade no centro da roda. Cada criança celebrou no centro da roda: “eu sou Dieles; eu sou Diego, eu sou Taise...”, e os educadores também: “eu sou Márcia, eu sou Izabel, eu sou Marilândia...”, cada um com a sua emoção de se reconhecer afro-descendente, brasileiro, lençoense.





Arte e Identidade
Brinquedos e Brincadeiras
Papel Reciclado e Retalhos


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Texto parcialmente retirado do livro "Pedogogia Griô: A Reinvenção da roda da vida", de Líllian Pacheco. Sistematização de vivências, invenções e pesquisas compartilhadas do Ponto de Cultura Grãos de Luz e Griô.




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