Cordel Dom Obá
Márcio Caires e Líllian Pacheco

Vim da Bahia para lhes contar
A história de um brasileiro
Seu nome é Dom Obá
Obá de rei Dom de guerreiro
Nasceu junto com Lençóis
Na guerra do Paraguai foi feroz
Morreu na favela do Rio de Janeiro.

Abram suas portas
Para os três Reis Magos cantarem
Santos negros africanos
Santos caboclos dos índios
Santos brancos romanos
Promessa não tem língua, tem valor
Deus menino não tem raça é de toda cor
A cor de Dom Obá é dos yorubanos.

Dom Obá lutou por um mundo novo
Criticou a elite no jornal
Defendeu a liberdade

Freqüentou o palácio imperial
A Pirâmide Gizé no imaginário
A estrela Sírios no calendário
De sua sabedoria ancestral.

Dom Obá foi neto
do poderoso Aláafin Abiodun
Último soberano de Oyó
Filho de Xangô, da família de Oxum
Aqui se juntou a Tupinambá
Sutão da Mata e Yemanjá
Cosme, Damião e Deum.

Caçado o seu título de defensor do Brasil
Dom Obá morre
Dois anos antes da abolição
Sem amor na favela da África Pequena
Mas a sua história não morre não
É samba-de-roda até o dia clarear
É espírito de caboclo de encantar
É bandeira de Lençóis e do Brasil no coração.


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Este cordel virou música na voz dos nossos jovens


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