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Missão
A missão é semear educação e tradição
oral fortalecedora da identidade das crianças, adolescentes e jovens
brasileiros. Reinventar a integração entre o velho e o novo
num presente pleno de ancestralidade e identidade na educação
para a celebração da vida.
O projeto
Grãos de Luz e Griô educa 130 crianças, adolescentes
e jovens em oficinas de identidade,
arte, artesanato e economia solidária, tendo como tema gerador
tradição oral e cidadania.
As pesquisas e vivências das oficinas elaboram saberes e produzem
materiais didáticos para a caminhada dos griôs de 14 grupos
culturais da Chapada Diamantina. Os griôs e as oficinas mobilizam
15 escolas/ comunidades, 50 educadores municipais e, aproximadamente,
mil crianças e adolescentes para a elaboração e vivência
de projetos pedagógicos que integram identidade, ciência,
arte e tradição oral no currículo
de educação municipal.
Os líderes de todas as idades envolvidos participam do registro
e sistematização de conteúdos e práticas educativas
para legalização do currículo por meio dos conselhos
municipais. Os jovens se organizam em grupos cooperativos de cultura e
economia solidária. E todos se encontram na Roda
da Vida e das Idades, compartilhando afetos, saberes e produções
solidárias, em parceria com diversas entidades dos três setores
sociais (poder público, poder privado e sociedade civil), nacionais
e internacionais.
O Grãos de Luz e Griô investe na construção
de uma rede local entre empreendedores, poder público, conselhos
municipais, a comunidade escolar e os grupos culturais, propondo e construindo
soluções para problemas relacionados ao patrimônio
simbólico e a auto-estima da população de baixa renda,
principalmente de tradição oral. A valorização
da cultura e a integração das idades são estratégias
fundamentais para a reconstrução do fio da história
e fortalecimento da identidade das crianças, adolescentes e jovens
para interromper o ciclo intergeracional da pobreza.
A idéia é inovadora porque propõe incorporar à
esfera da educação, da política e da economia da
comunidade, a força e o poder da tradição oral.
Na vivência e revisão da missão, a coordenação
do Grãos de Luz e Griô vem sistematizando pesquisas, reflexões
e vivências compartilhadas na pedagogia griô, desenhando um
modelo de ação pedagógica com suas estratégias
de ação na comunidade/município. Além de rituais
de vínculo e aprendizagem e um modelo teórico/prático
para fortalecimento da identidade. O sistema de avaliação
com indicadores de resultados, de processo e de impacto social também
estão sendo sistematizados para produção de um índice
de identidade local.
O
contexto de Lençóis
A cidade de Lençóis está situada a 410 km
de Salvador (BA), com uma população de aproximadamente 10
mil habitantes, em sua maioria afrodescendentes, onde 49,8% vive abaixo
da linha da pobreza (renda per capta familiar menor que 1/2 salário
mínimo, IBGE 2000), principalmente nas comunidades rurais, isoladas
geograficamente.

Caminhada do Velho Griô, casa da comunidade de Licurioba,
Lençóis 1999/2000
Lençóis fica localizada na região do Parque Nacional
da Chapada Diamantina, uma das maiores reservas ambientais do Brasil.
Tombada como Patrimônio Histórico Nacional desde 1974, a
cidade teve como base econômica até 1990 a extração
de diamante. Segundo Senna (1998, p.45), a sociedade das lavras se formou
por brasileiros vindos principalmente da zona do Recôncavo Baiano
e de Grão Mogol, hoje cidade de Diamantina, Minas Gerais.
A escassez
do diamante deflagrou uma crise econômica e social que se intensificou
com o fechamento legal da atividade do garimpo.
"A
população garimpeira que envelhecia na bateia* e tinha seu
universo no garimpo, com a proibição dessa atividade, viu
o seu mundo desabar” (Araujo, 2002)
* Gamela
de madeira para lavagem manual de areias auríferas ou de cascalho
diamantífero.(Ximenes, 2000)
Os investimentos econômicos foram direcionados para grandes e médios
empreendimentos turísticos, com roteiros de ecoturismo que não
incluem a história e a cultura do povo.
A transformação
econômica vivida em Lençóis retirou o personagem central
da atividade do garimpo (o garimpeiro) e o trabalhador rural, com toda
a cultura que a sociedade produzia e reproduzia no seu cotidiano: as rendeiras
e seu artesanato, os rituais das mães e pais-de-santo, as(os) reiseiras(os),
o samba-de-roda, as cantigas das lavadeiras, as rezadeiras e curadores(as),
as parteiras e outros personagens representantes da sabedoria da tradição
oral.
"O
passado é uma referência constante; o presente, uma lamentação
profundamente impregnada do sentido da perda; e o futuro, algo fugidio,
ausente como projeto. Este saudosismo projeta-se em todas as direções
da Cultura...”
(
Senna, 1998, p. 43).
Foi neste
contexto que as escolas e as comunidades demandaram projetos que costurassem
o fio da história de Lençóis. Porém a dissociação
cultural entre escolas e suas comunidades, entre as gerações
de tradição oral e as novas gerações de tradição
escrita, forma uma célula de uma questão nacional. Há
uma carência de práticas integradoras de ensino e aprendizagem
nas universidades e nas escolas que incluam a vivência afetiva e
cultural das crianças, adolescentes e jovens brasileiros. Práticas
que os vinculam a si mesmos e a sua ancestralidade, para que sejam protagonistas
de uma história e de uma educação que garantam o
fortalecimento de sua identidade para melhoria da qualidade de vida.
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Textos
do livro "Pedogogia Griô: A Reinvenção da roda
da vida", de Líllian Pacheco. Sistematização
de vivências, invenções e pesquisas compartilhadas
do Ponto de Cultura Grãos de Luz e Griô.
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