Oficinas
da Pedagogia Griô com Pontos de Cultura
Nos dias
16 e 17 de setembro, 60 representantes de Pontos de Cultura participaram
da vivência da Pedagogia Griô. Uma pedagogia que aprende
com a tradição oral das comunidades a caminhar em cortejo,
construir a roda com as danças do trabalho, mutirões de
pisar milho, pisar o barro para fazer a casa, beneficiar os alimentos,
facilitando o ímpeto vital e a alegria do coletivo.. "Esta
noite eu ví o pilão tocar, eu achei bonito e vou mandar
buscar”...
Depois estimular a liberdade do contato corporal, aproximar as pessoas
no toque desde o centro até as demais partes do corpo com a umbigada
“ô Maria Roxinha, ô deste lado, ô
deste outro, ô torna a fazer, dá uma volta redonda e uma
umbigada em você”...
Integrada a roda, é necessário aprender a ocupar seu espaço
com a jinga, o diálogo sensível prazerozo e íntegro
da boniteza dos corpos e dos sentimentos entre todas as idades com as
capoeiras e cacuriás das catadoras de caranguejos “Caranguejinho
tá andando tá andando ... ô tá na boca do
buraco, caranguejo Sinhá “ ...
O corpo energizado e quente pede harmonização, regulação
e continente da roda num Toré do povo Tupinambá da Bahia
“Eu tava no meio da mata, prá que mandou me chamar,
eu vim foi prá beber jurema, balança meu maracá
“ ...
E é na roda, neste espaço desenhado por pessoas que a
identidade pode se revelar, gritar e celebrar EU SOU para
todos cantarem seu nome em rituais de Torés que preparam o grupo
para seus desafios e festas.
É na roda também que todos podem se embalar com as cantigas
de ninar "Priquito maracanã, cadê a sua
Iya Iya...faz um ano, faz um dia, que eu não vejo ela passar"...
E por fim fortes, alegres, bonitos, afetivos... é na roda que
podemos contar a nossa história, tecer o fio de nossa memória
com a memória do outro, um tecido mítico que nos cura
e nos reidentifica com a vida, pedindo a bêncão aos nossos
ancestrais.
Palavras geradoras
Para elaborar a vivência e construir um projeto pedagógico
que integra a tradição oral com a educação
formal, o grupo trabalhou a palavra geradora PILÃO – saber
que estava vivo, dançado e cantado no centro da roda. E o pilão
trouxe outras palavras geradoras na memória das pessoas que foram
construindo modelos lineares, modelos em redes e espirais.

A leitura das palavras geradoras estimulou o diálogo intersetorial
entre educadores, griôs aprendizes e mestres de tradição
oral, e ainda entre cultura negra, cultura popular e outras culturas,
integrando a ciência, o mito, a festa e a história de vida
na construção dos saberes e fazeres da Pedagogia
Griô.
Leia
texto de Alexandre Santini (Ponto de Cultura Tá na Rua/RJ) sobre
as palavras geradoras da oficina
Veja mais fotos das oficinas

Veja
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14/09 - Encontro de abertura com Pontos
convidados
15/09 - Show de lançamento
do edital
17/09 - Momento histórico da cultura
popular no encontro de mestres
Depoimentos de quem participou da oficina
Notícias
do encontro na página do Ministério da Cultura
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